Luc Moullet

Luc Moullet

(1937)

Biografia

Nascido em Paris em 1937, o cineasta tem entre seus admiradores nomes como Jean-Luc Godard, Jean-Marie Straub, Claire Dennis, Raoul Ruiz e o brasileiro Carlos Reichenbach. Sua filmografia, premiada pelos mais importantes festivais internacionais, como Cannes e Berlim, mereceu, entretanto, muito pouca circulação no Brasil. Moullet acumula também destacada atividade como crítico, iniciada aos 18 anos de idade na prestigiosa revista Cahiers du Cinéma. Seus textos são reconhecidos como fundamentais para a Nouvelle Vague e os novos cinemas que eclodiram nos anos 1960 em países como a ex-Tchecoslováquia, Hungria, Brasil e Polônia, entre outros. Seu trabalho crítico aborda diretores como Fritz Lang, Cecil B. DeMille, Jean-Luc Godard, Gerd Oswald, Miklós Jancsó e Catherine Breillat. Autodefinido como um cineasta cômico, Moullet é considerado como herdeiro de Jacques Tati, pela percepção visual e sonora, e de Alfred Jarry, por sua capacidade de oscilar no absurdo. O cineasta também é filiado a uma família de cineastas marginais que escolheram exprimir-se na primeira pessoa do singular (assim como Philippe Garrel e Jonas Mekas). Seu longa de 1966 “Brigitte et Brigitte” conta com participações dos cineastas Samuel Fuller, Claude Chabrol, Eric Rohmer e André Téchiné. Seus longas seguintes incluem um autêntico filme B (“Les Contrebandières”, 1967), um western psicológico com o mítico ator Jean-Pierre Léaud (“Une Aventure de Billy le Kid”, 1971, nunca lançado na França, mas de boa circulação no exterior) e uma paródia de dramas românticos (“Anatomie d'un Rapport”, 1975, co-dirigido com a sua esposa Antonieta Pizzorno, ficção documental sobre a sexualidade de um casal logo após 1968, estrelado pelo próprio Moullet, Christine Hebert e Antonietta Pizzorno). A maior parte dos filmes que realizou a seguir organizam-se em torno dos princípios de “Anatomie d’un Rapport”: Luc Moullet no papel principal, voz off, humor, imagens do quotidiano, oscilação entre a ficção e o documentário, autobiografia e comédia. A partir dos anos 1980, Moullet inicia uma produção de curtas-metragens de humor, realizados entre as filmagens de seus longas. Em 2000, o curta “Le Systeme Zsygmondy” foi premiado no Festival de Cannes, onde, em 1979, “Genèse d'un Repas” havia sido laureado. Em 1987, no mesmo festival, o longa “La Comédie du Travail” venceu o Prêmio Jean Vigo - uma premiação concedida a jovens diretores (Moullet tinha 50 anos à época). “Les Sièges de l'Alcazar”, longa de 1989, é considerado pela crítica como filme a respeito da cinefilia de todos os tempos. Vivendo atualmente momento de celebração de sua carreira, Moullet viu recebida com entusiasmo uma caixa de DVDs reunindo seus primeiros oito longas-metragens lançada em 2007 na França e Estados Unidos (veja texto ao final). Em 2009 Moullet novamente causou sensação no Festival de Cannes ao apresentar "La Terre de la Folie", um tratado sobre as relações entre a loucura e a região francesa dos Alpes do Sul, terra de origem do cineasta (segundo ele, local que teria mais loucos assassinos ou suicidas do que outros territórios similares). Também em 2009, o cineasta ganhou importante retrospectiva de sua obra organizada pelo Centre George Pompidou, em Paris. Para o presidente do Centre Pompidou, Alain Seban, o cineasta é dono de uma obra “inventiva e divertida, que inspirou e estimulou artistas de todas tendências, de Jean-Luc Godard a Claire Dennis”. Para Jean-Marie Straub, “depois de Moullet, estamos há muito tempo à espera de um cineasta tão importante como ele e que mostre tanta liberdade. “Les Contrebandières” já era um filme extraordinário, e “Une Aventure de Billy Le Kid”, é uma obra-prima, o melhor filme com Jean-Pierre Léaud e um dos raros filmes surrealistas franceses. Luc Moullet é sem dúvida o único herdeiro de Buñuel e Tati.” Além da exibição da filmografia de Moullet, o evento promove a sua vinda para apresentar sessões e conversar com o público nas três capitais em que a programação é exibida. Também está sendo organizada uma publicação inédita no Brasil sobre a obra de Luc Moullet. A curadoria e organização geral do evento é assinada por Francisco Cesar Filho e Rafael Sampaio. A produção do evento é da Klaxon Cultura Audiovisual, em colaboração com Associação do Audiovisual, com patrocínio do Banco do Brasil.




Participação nos filmes

  • Cada Vez Mais
  • Cada Vez Mais
  • Cada Vez Mais

Cada Vez Mais

Toujours plus (França 1994). De Luc Moullet. Em cores/24’.

Sinopse

Sinopse

Hoje se constroem supermercados no lugar de cinemas e igrejas. É a evolução natural, uma vez que o consumismo é a religião dos nossos dias e os supermercados são as catedrais do futuro. Documentário sobre os supermercados.

Cada Vez Menos

Cada Vez Menos

Toujour moins (França 2010). De Luc Moullet. Em cores/13’.

Sinopse

Sinopse

"Em 1993 fiz Toujours plus. Claramente, havia a necessidade de uma continuação: Toujours moins, meu quadragésimo filme. São cerca de 14 minutos sobre desenvolvimento e crescimento, de 1968 a 2010, dos sistemas baseados em computadores, robôs e terminais, que são agora onipresentes em todas as áreas da vida. O objetivo do sistema atual parece ser o de utilizar apenas uma pessoa por setor de atividade. Nós não estamos lá ainda, mas chegando perto. Um mundo esquizofrênico, pois ao mesmo tempo as empresas estão pagando, ainda que indiretamente, por estes postos de trabalho. Milhões de seres humanos não podem ser simplesmente empurrados para as ruas. Uma observação que é tanto mordaz quanto engraçada.” -Luc Moullet

Capito?

(França 1962). De Luc Moullet. Em cores/8’.

Sinopse

Sinopse

Italiano que não entende francês paquera francesa que não entende italiano.
  • Catracas
  • Catracas
  • Catracas

Catracas

Barres (França 1983). De Luc Moullet. Em cores/35’.

Sinopse

Sinopse

Filme pedagógico destinado às pessoas que usam o metrô de Paris diariamente: como passar pelas catracas sem bilhete? “Após o lançamento de Barres, a frequência nos trens aumentou: as pessoas não andam mais no metrô para se locomover, mas para admirar o espetáculo dos fraudadores ou a vitória da arte sobre a utilidade.” (Luc Moullet)


Luc Moullet - Barres (1984)
Foix

Foix

(França 1994). De Luc Moullet. Em cores/13’.

Sinopse

Sinopse

Luc Moullet descobre a cidade mais cafona da França: Foix. Inspirado no documentário Hôtel des Invalides (1952), de Georges Franju.

Gênese de uma refeição

Gênese de uma refeição

Genèse d'un repas (França 1978). De Luc Moullet. Em preto e branco/117’.

Sinopse

Sinopse

Uma lata de atum, um omelete e uma banana servem de ponto de partida para esta investigação sobre a exploração econômica dos países pobres pelos mais ricos e industrializados. Seguindo a história dos ingredientes de uma refeição bastante simples, Moullet traça um mapa do funcionamento do mundo global.

Imphy, capital da França

Imphy, capital da França

Imphy, capitale de la France (França 1994). De Luc Moullet. Em cores/24’.

Sinopse

Sinopse

Ansiosos por resolver o problema da concentração administrativa, econômica e intelectual em Paris, Luc Moullet e Antonietta Pizzorno saem em busca de uma nova capital para a França.

Introdução

Introduction (França 1982). De Luc Moullet. Em cores/8’.

Sinopse

Sinopse

Estudo meticuloso sobre o tema da mudança, alternando diferentes pontos de vista. Produzido para a série de televisão "Le changement à plus d’un titre" – ao lado de curtas de Jean-Luc Godard, Jean-Louis Comolli e outros.

Jean-Luc segundo Luc

Jean-Luc selon Luc (França 2006). De Luc Moullet. Em cores/7’.

Sinopse

Sinopse

“Pequeno filme rodado numa manhã, em meu apartamento, e montado em quatro horas. Como houve uma exposição sobre Godard no Beaubourg, com uma retrospectiva de seus filmes, me pediram para fazer um vídeo sobre ele. Parti da célebre sequência de Les Carabiniers (em que meu irmão é um dos protagonistas), na qual nossos dois ‘heróis’ reduzem todas as maravilhas e riquezas do mundo a cartões postais, revelando a futilidade da posse e da vida humana. Respondo na mesma moeda e procuro identificar algumas características da obra odardiana com a ajuda de cartões postais.” -Luc Moullet.

La Sept segundo Jean e Luc

La Sept selon Jean et Luc (França 1990). De Luc Moullet. Em cores/13’.

Sinopse

Sinopse

A programação da emissora de tevê francesa "La Sept" segundo a imaginação do cineasta Luc Moullet e do ator Jean Abeillé. Uma nova grade cheia de surpresas...